domingo, 9 de agosto de 2009
Construção.
Eram três homens comuns, sentados na mureta com seus uniformes, após o almoço, esperando a hora de retornar para o trabalho. O sol do meio-dia queimava no alto do céu e formava uma leve ilusão de ótica junto à calçada. Estava realmente quente, os corpos jogados em um canto da construção, quase amontoados embaixo de um pedaço de sombra que o andaime fazia demostravam tal situação. Seus semblantes refletiam a parca sabedoria, o trabalho árduo e o cansaço. As mãos calejadas mostravam que aqueles homens necessitavam daquele serviço, deveriam ser a única fonte de sustento da família. Quantos filhos será que teriam que sustentar? Desde que horas estariam acordados? Eram três homens anônimos, em meio a quase uma centena de operários. Eram tão importantes, mas ao mesmo tempo tão insignificantes... Talvez não possuíssem nem o discernimento suficiente para poderem entender tal situação... Eram invisíveis aos olhos dos que passavam na rua, trabalhavam no silêncio de suas mentes e almas e junto ao barulho das máquinas e ferramentas. Uma dicotomia quase filosófica.
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