quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ilusão.

Chovia, no aeroporto deserto, seu vestido de bolinhas se perdia em meio a mãos, braços e desejo...Tentava disfarçar com seu lenço vermelho, mas não conseguia conter-se. Traía a si mesma a cada beijo dado, prometera-se nunca mais o encontrar. Ela sabia que não conseguiria cumprir o prometido, trair-se era apenas completar o planejado, apenas havia dito aquilo para que a separação pudesse ser mais amena quando ele sumisse. Poderia até parecer falta de amor-próprio o fato de estar ali, com ele...e era. Saíra correndo da festa para encontrá-lo. Estava determinada a apenas conversar, mas não conseguiu resistir. Ela sabia que não resistiria, mas foi. Perqueria-se se valera o esforço, mas para essa pergunta a resposta parecia unânime: não. Não era mais tão ingênua como antes, sabia que havia se apaixonado por uma ilusão. A imagem que tinha daquele homem era algo idealizado, algo presumido em apenas um encontro, agora, estava ele ali, na sua frente, e não era nada parecido com o que se lembrava. Era apenas uma ilusão, mas...como era doce aquela ilusão... Não queria aceitar a verdade. Ele seria apenas mais um. E era. Tudo traduzia-se em uma mera relação de pele, desejo, atração e carne. Era sempre assim.

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