terça-feira, 30 de junho de 2009
Larissa
Ele estava sentado em sua cadeira, com uma xícara de café na sua frente e olhava agora a tela escura do computador. Merda. Estava quase enlouquecendo. Ela não saía de sua cabeça. Ah! Larissa... Ela havia começado na empresa há pouco tempo, fora falar com ela na primeira semana, tinha se interessado pela moça. Ela era do tipo tímida, mal saía da sua sala, mas era simpática quando falava com ele. Era simpática com todos, mas preferia pensar que era só com ele. Possuíam alguns amigos em comum, o que os levava a uma trivial conversa de corredor. Quando passava por sua sala, era quase inevitável olhar para dentro, principalmente quando ela sentava próximo à porta. Ela não se arrumava como as outras, não parecia que fazia esforço para se arrumar, mas, ainda assim, havia uma beleza que ele não sabia explicar que emanava dela. Os cabelos negros lhe davam um ar de cigana. Talvez fossem as belas pernas torneadas e morenas de sol sob a saia de bolinhas esvoaçante que o deixavam quase louco. Como deveria ser bom mordiscar aquelas pernas. Sonhava com aquelas pernas e com o que mais poderia haver sob a saia que lhe dava um ar quase inocente. Ou ainda, com os belos olhos verdes que mais pareciam que iriam consumi-lo por inteiro. Sentia calafrios só de pensar em seus olhos. Ah! Que olhos...O sorriso dela, com os dentes perfeitos e brancos lhe prendiam a atenção. Ela sorria de um jeito que só as mulhers bonitas e desejadas, e que sabem disso, conseguem. Era um riso solto e sexy. Ele a desejava. La-ris-sa. Aquelas sílabas pareciam que saltitavam de sua boca. Ficava pensando em como poderia se aproximar dela sem parecer um completo pervertido. Ligou o computador.
domingo, 28 de junho de 2009
Diamantes
Olhava seu anel de diamantes. O ganhara de noivado. Refletia sobre sua vida conjugal. Era mesmo feliz? Casara por mero comodismo, bem como todas as escolhas em sua vida. Não que não gostasse de seu marido, mas não se imaginava viver com outro homem. Talvez porque não houvesse outro homem. Jamais atrevera-se a se relacionar com outros. Ele foi o primeiro e, provavelmente, o último. Sentia que em toda sua vida postergou certas coisas, agora sentia aquela frustração. Era medrosa demais para jogar toda sua vida pacata fora para fazer o que realmente queria. Seus filhos já estavam grandes, já haviam saído de casa. Só restara os dois. Não era infeliz, embora soubesse que não havia aproveitado a vida. Agora, aquele senhor se aproximara dela. Por que? Por que ela? Justo ela! Nunca havia pensado em trair seu marido. Jamais. Mas, quando estava com ele...até cogitava a idéia de se separar...Estava absorta em seus pensamentos, mexendo o chá sem parar, como se no fundo da xícara estivesse a solução para tudo. Em vão.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Flores
Ele a olhava ali, deitada na cama. Entre os lençóis, ainda dormia. Ambos sabiam que era apenas um caso, efêmero, fulgaz, intenso. Ele pensava na razão de terem escolhido aquele tipo de relacionamento, eram duas pessoas adultas, com sentimentos diversos. Ela gostava dele. Ele gostava de outra. Não queria que ela continuasse sentindo aquilo por ele, talvez não merecesse, talvez ela não merecesse. Era apenas sexo casual, que mal poderia haver? Sexo não se confunde com amor, e ele já havia deixado claro para ela. Tentava se convencer, mas sabia que os argumentos eram baratos demais para convencerem. Se perguntava o porquê de ainda estar ali, alimentando aquela relação sem futuro. A carne era fraca, e sabia disso. Estariam eles procurando suas almas gêmeas? Mas esse não seria o destino de almas gêmeas, terminarem apenas se rendendo às tentações carnais, pura conexão de pele, cheiros, gostos e êxtase. E era só. Acabava por ali. Se levantavam e cada um seguia o seu caminho. Passavam semanas sem conversarem. Quando se reencontravam, parecia que todo aquele tempo não havia passado de, no máximo, horas. Não falavam sobre o que acontecia fora daquelas quatro paredes, somente o papo leviano de "Como vai?", "Quanto tempo!", "Saudades" e realimentavam aquele caso. O relacionamento deles já havia nascido morto, ambos sabiam. Mas nunca é demais chorar ao pé do leito de um moribundo, ou, ainda, levar flores ao cemitério. Por enquanto levaria flores ao cemitério. Deu um beijo nas costas desnudas de Nicole.
Pôr-do-sol
Ela estava apreciando a vista. Nunca tinha visto um pôr-do-sol como aquele. Se sentia perdida naquela selva de pedra, para onde olhava havia um prédio. Sempre fora acostumada com a vida de interior, agora, aquela cidade toda aguardando por ela. As duas colegas estavam sentadas no terraço do shopping. Poderiam? Era parte do estacionamento, mas, ainda assim, parecia proibido. Nunca fizera nada proibido, ilegal ou imoral. Sempre fora uma garota exemplar. Estava agora naquela cidade tão impessoal...Deixara sua família no interior para estudar na capital. Tudo parecia tão difícil...Quando poderia voltar correndo para os braços de sua mãe? Não podia. O esforço da família era muito grande para mantê-la ali, era a única esperança da família. A vida da estância ficava difícil, diferente de outrora, quando eram os mais prósperos e ricos da região. Os tempos eram outros. A época de fatura ocorreu antes de ela nascer. Perderam tudo o que tinham. Maus negócios, gastos supérfluos, caindo, assim, no descrédito e miséria. Era época das vacas magras. Literalmente. Nada daquela vida nova que era forçada a começar tinha a ver com ela. Era uma típica mulher do interior. Gostava daquilo. Aquele pôr-do-sol lhe lembrava de casa. Vamos embora, está escurecendo.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
New York, New York
Frank Sinatra cantava New York, New York. Ela tinha vontade de sair dançando em plena avenida. Segurava a sombrinha floreada, que mais parecia seu parceiro de dança imaginária em um salão oval, girando frenéticamente, ao compasso da música e guiada por seu par. Não, não fazia uma loucura dessas. Mas estava tão alegre que seria capaz de fazê-lo. Suspirava e sorria. Como a própria música dizia, queria acordar na cidade que nunca dormia. Como devia ser Nova York? Imaginava as luzes, as propagandas, as pessoas, os hotéis, parques...imaginava que estava em Nova york, queria fazer parte daquilo. Nem mesmo a chuva lhe impedia de ficar alegre. Ela queria que todos soubessem da sua felicidade. Aquilo merecia uma comemoração. Brindou a vida com um champagne imaginário. Os passos apressados dos que passavam pareciam indiferentes. Na correria do dia-a-dia, mal se podia notar aquela figura com o semblante que divergia dos rostos sérios que passavam. Seguiu o seu caminho pensando no cantor, em que ele estaria inspirado na hora de fazer a música? Será que ele tinha uma musa? Devia ter. A felicidade dela tinha nome e sobrenome. Era amada. Pela primeira vez era amada e correspondia. Se sentia muito clichê de ficar pelos cantos suspirando por um rapaz. Mas era inevitável. Talvez estivesse suspirando por Frank Sinatra e sua Nova York, amava aquela música e a sua cidade imaginária. A dança no salão também lhe fazia bem. Esquecia a chuva e tudo o que poderia dar errado. Agora, esquecia até mesmo que teria que ir trabalhar. Ah! New York...
Um real de amor
Ela estava ali, parada, embaixo do toldo da banca de cachorro-quente, segurando sua sombrinha vermelha. Contava as moedas dentro da carteira, 10, 20, 30 centavos...Por que eu fui gastar tudo? Logo hoje! Não estava com fome, mas queria se presentear com um mimo naquela noite nada amigável. Segurou a nota de um real. Teria coragem de se desfazer dela? Havia se lembrado da existência daquela nota há uns meses atrás, em uma das suas muitas noites de insônia. Quando se lembrara da existência da velha cédula, não pôde mais dormir, tinha que ler a agenda. Se lembrava de ter se sentido a mulher mais cafona do mundo por todas aquelas besteiras escritas na agenda, normal que as pessoas apaixonadas sejam um pouco assim, mas não era do feitio dela. Ah! Seu ex-namorado...Nem ela sabia explicar o que vira de especial nele. Na agenda continham suas primeiras impressões do ex-amor. Existiria "ex-amor"? Se fosse amor, talvez durasse, mas não era o caso. Se sentia aliviada de não estar mais com ele. Aliviada? Aquela sensação lhe dava um pouco de culpa. Alívio era muito forte para um ex-amor. Aquela nota era um presente do primeiro encontro. Ela se lembrava de ter lido na agenda e, na memória, era tudo tão nítido ainda. O troco do sorvete. Não sentia saudades. Jamais. Embora tenha sido seu primeiro namorado. Era um presente de brincadeira, ele não esperava que ela guardasse como, de fato, o fez. Ainda tinha valor monetário, ainda que extinta a produção da referida nota. Uma relíquia. Ela guardava, agora, não só porque era uma recordação, era rara. E, agora, estava ela ali, segurando a nota. Não tinha mais dinheiro, era o valor exato do lanche. Não havia nada mais barato. A chuva era torrencial, ela não sentia mais os pés gelados dentro dos tênis ensopados. Trabalhara o dia inteiro. Seguiria o resto do caminho a pé, na chuva. Ela merecia. Um mini cachorro-quente, por favor.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Bombons
Era seu aniversário. Ela queria sair. Estava sentada na penteadeira, o corpo, ainda quente do banho, recendia a flores. Pensava agora, era mais um ano que se passava. Os primeiros cabelos brancos já surgiam, tímidos. Estava ficando velha. O velho rádio tocava canções antigas, o cantor pedia para a amada nao ir embora. Deixou a escova cair no chão. Escolheu o vestido azul. Sabia que iria encontrar as mesmas pessoas. Suas tias lhe fazendo as mesmas perguntas, bem como as mesmas críticas. Ainda não arranjou um namorado? Como engordou! Assim vai ficar pra titia! Como se já nao bastasse o próprio sofrimento da situação, elas ainda faziam parecer pior. A dona Maria era a pior de todas. Ela mal parecia que possuia um espelho em casa. O marido era um verdadeiro guerreiro por aceitar casar com a megera. Ela não entendia o motivo de ele se sujeitar aquela condição. Sorte dele que já havia falecido há anos. Ela teria que aturá-la uma noite inteira. Era a parte mais torturante de fazer anos. Voltou para a penteadeira, juntou a escova. Respirou fundo. Era apenas uma noite. Será que deveria contar dele? Não. Era cedo demais. Ainda que tivesse vontade de se suicidar a cada comentário maldoso das velhas, ela sabia que aquele ano era diferente. As críticas não lhe afetariam. Ela sabia que não era assim a realidade. E se fosse? E se ele sumisse como os anteriores? Ela não contaria. Não tão cedo. Elas pareciam que possuiam veneno tal que todos se afastavam com o simples fato de saberem da existência do pretendente. Não contaria. Passaria pela humilhação por mais um ano. A solteirona. Se maquiava agora. Ele lhe dera bombons. Se lembrara disso. Abriu a gaveta e retirou uma lata metálica contendo bombons envolvidos em papel laminado vermelho. Pegou um, abriu, colocou na boca. Adorava bombons de cereja. Aquela atmosfera que o chocolate lhe proporcionava afastava por completo a imagem das tias. Não o convidara para a festa. Jantaria outro dia com ele. Sabia que esse ano era diferente. Tinha que ser. Guardou o resto da caixa. Colocou o casaco. Saiu.
Sushi
Ele olhava para ela. Não acreditava no que acontecia. Corriam no meio da rua para pegarem o ônibus. Correr era o que ele mais fazia nos últimos tempos. Ela aparecera do nada e transformara sua vida. Ela era tão...Espontânea, despreocupada, livre, racional e crítica. Ela fizera ele ir em lugares que ele jamais imaginaria. Do underground a high society. Provara narguilé. Foi a festas gls. Restaurantes mexicanos. Cartomantes. Torres de chopp. Matava aula. Ela fizera ele provar sushi. Aquele peixe cru era realmente bom e estranho. Ja pensara em provar antes, mas nunca tivera coragem. Ela prezava demais a comida. Uma vez lhe mencionara que gostaria de ser chef de cozinha, mas gostava de cozinhar por hobby, nao como uma obrigação. Odiava obrigações. Sempre fugia de responsabilidades. Talvez fosse por isso que ela fugia dele. Não queria que as pessoas gostassem dela. Não daquele jeito. Ela era como uma areia movediça, quanto mais tentava fugir, mais se sentia preso a ela. Chegaria um tempo em que ele não conseguiria mais respirar, assim como quem é atolado em areia movediça. A pressão exercida sobre o peito da vítima é tamanha que os músculos já não conseguem expandir a caixa torácica e ela morre por asfixia. Ela era assim. Tentara compará-la com uma cobra, mas a metáfora da areia movediça parecia combinar mais com aquela figura. Subiram no ônibus.
Marshmallows
O leite fervia no fogão. Procurou o pote de chocolate no balcão. Nunca sabia onde a empregada colocava. Ela ia uma vez por semana arrumar a casa de campo da família e, ainda assim, conseguia mudar tudo de lugar. A casa ficava no meio do nada. Cerca de duas horas da cidade mais próxima. Gostava do clima do campo. Não precisava se preocupar com nada, era tudo tão calmo. Encontrou! Serviu-se. Colocou marshmallows. Adorava aqueles pequenos pedacinhos do que parecia isopor açucarado. Lembrava sua infância. Ela mexia a xícara de chocolate quente. Os marshmallows flutuavam em meio ao marrom escuro do chocolate meio amargo. A alegria cabia em uma xícara. A chuva caía forte lá fora. Dentro de casa, somente ela, o cão e sua xícara de chocolate quente. O labrador ficava no canto do tapete, enquanto ela, na outra ponta, em frente à lareira, ouvia o barulho da chuva. Era um cão velho. Seu companheiro há anos. Não se lembrava de como era antes dele. Sempre estava ali, pronto para lhe agradar. O amava, e acreditava que era recíproco. Podia passar horas assim. Um incenso queimava. O cheiro doce invadia a sala por inteiro. Acreditava que dia de chuva sempre merecia um incenso. Especialmente dias de chuva com frio. A campainha toca. Oi! Nossa, você está todo molhado! Mas por que chegou a essa hora? Sabia o motivo pelo qual ele chegara aquele horário, devia estar com ela. Seu casamento ja não era o mesmo. Desgastado pelo tempo, ele tinha seus casos extraconjugais. Não sabia se o culpava ou não. Claro que o culpava. Enquanto ela cuidava dos filhos e da casa, ele estava se divertindo com diversas mulheres diferentes. Ou uma em especial. Isso era o que lhe machucava mais. Ela sempre esteve ali, pronta para lhe agradar, sempre o amou, mas, ainda assim, ele ia procurar conforto nos braços de outra. Não queria saber a resposta. Nem ele queria responder. Os dois sabiam onde ele estivera. Silêncio.
domingo, 21 de junho de 2009
Rua das Camélias.
Ela acordou. A dor de cabeça lhe pertubava de tal maneira que demorou a perceber onde estava. Não se lembrava de como fora parar ali...Uma festa, drinks, um rapaz e...Só sabia que ele estava ao seu lado em meio aos lençóis de seda vermelha. Não o culpava. Não se culpava. Precisava sair, beber, esquecer...esquecer de si nos braços de um desconhecido. Era melhor. Não teria compromisso algum com aquele rapaz. Agora estavam ali, os corpos nus, e não se lembrava sequer o nome dele. Mal se lembrava o seu próprio. Tentava organizar as idéias, ainda era confuso demais...Onde fora parar a Clarissa? Por Deus! Iria embora com ela! Onde será que ela se meteu? Tudo ainda girava. Fez um esforço quase sobre-humano para conseguir sair da cama. O chão parecia que iria se abrir e ela cair no meio do vão. Procurava sua bolsa. Parou para fazer as contas de quanto dinheiro se lembrava de ter gastado. Em vão. Saíra e nem se lembrava de quanto ou o quê havia bebido. Aquela figura ao seu lado ainda nem se mexera. Dormia feito pedra. Foi bom pra você? Achava aquela frase a mais clichê de todas. Não falou nada. Se vestiu. Como chegara ali? Não sabia. Não se lembrava o quê havia acontecido, nem como. E se o estranho...? Não podia. Um medo lhe assolou.Veio o remorso. Passaria em uma farmácia para comprar uma pílula do dia seguinte. Estava com medo. Em que parte da cidade estava? Deus! Onde? Pegou um táxi. Por favor, na Rua das Camélias. Deixara o estranho para trás. Não queria se envolver novamente. Bebera para esquecer. O conhecera para esquecer. Não se permitiria outro envolvimento. Não tão cedo. Queria que a figura do outro se afastasse para sempre de sua vida antes de começar alguma outra coisa. Respeito? Sim, por ela mesma. Não queria mais dores de cabeça além da que sentia no momento. Sua cabeça latejava. Não deveria beber tanto. Não deveria sair com estranhos. Pode parar ali na esquina, na farmácia. E agora? Qual o nome da maldita pílula? Vão me achar muito promíscua. E agora? Era. Não ligava. Pelo menos, não depois de raciocinar dessa forma. Pediu. Entrou no táxi. Na próxima quadra. Aqui. Desceu. E as chaves? Droga, sempre perdia! Só faltava terem ficado no motel. Não, achara. Entrou, subiu o primeiro lance de escadas. Deveria ter comprado um remédio para a dor de cabeça! Nunca mais beberia, se prometera aquilo. Sabia que não cumpriria. Já havia se prometido diversas vezes a mesma coisa. Entrou no apartamento. Pararia de pensar em tantas coisas. Só queria dormir novamente.
A CARTOMANTE VII
Ela ouvia música e se sentia outra mulher. Novamente. Mas agora já tinha certeza que seria definitivo. Toda aquela conversa de minutos antes servira para lhe afirmar isso. Já estava com raiva dele, embora tivesse sua dúvida dirimida momentos antes. Ela já sabia. Sempre era assim. Seu amigo cantava uma canção que era reproduzida pelo computador agora. Aquela música lhe fazia bem. Pensou em pular nos braços do seu amigo. Afastou a idéia. Não podia torturar uma alma. Já o fizera tanto, com tantos...Era a vez dela. A segunda. Se sentiu feliz e triste. Triste por acabar algo que nem chegou a começar, mas feliz por saber que seria novamente a mesma pessoa de sempre. Sentia falta de seu cachorro. Precisava dele mais do que nunca. Aquele vazio era sempre preenchido com carinhos desajeitados de seu amigo canino, mas este se fora também. Sabia que podia contar com seus amigos. Mas era algo maior. Ela preferia cães. Somente eles a entendiam e não ligavam para qualquer burrada que fizesse. Decidiu dormir. Talvez quando acordasse tivesse a solução. Pensou na cartomante. Charlatanice! Se sentiu estupidamente influenciável. Resolveu ir em outra. Desistiu. Em segundos já dormia. Parecia que nada havia acontecido. Era a mesma do mês anterior. Alivio.
Júlia
Ela conhecia Júlia há anos. Estavam bebendo em pleno meio-dia. Ela deveria ir trabalhar depois. Não se importava com isso. Júlia era assim. Ela gostava do jeito da amiga. Júlia era uma pessoa como ela queria ser. Irreverente. Diferente. Fora da média. Sem limites. Livre. Será que ela mesma era livre? Sempre se fazia essa pergunta. Acreditava que não era. Quando estava com Júlia, fazia coisas que nunca imaginara fazer. Morria de medo, mas fazia. Se lembrava do dia em que experimentara maconha com Júlia. Não sentira nada. Todos estavam sentados no sofá. Ela não sentira nada. Era isso? É isso que é proibido? Por que? Nada. Uma dose de absinto. Nada. Um copo de rum com refrigerante de limão. Caipirinhas. Nada diferente de apenas o efeito do álcool. Dormira aquele dia no sofá. Ela se lembrava daquela cena como sendo uma das maiores loucuras que fizera. E, de fato, era. Tudo já girava. Lembrava-se quando Júlia ainda era uma garota tímida. Hoje, era bem diferente. Ainda via em Júlia a menina que conhecera no colégio, mas apenas resquícios dela. Cresceram, era natural. Eram mais amigas agora do que quando se conheceram. Ela era certinha demais. Agora, era o oposto. Já haviam tomado todos os drinks possíveis. Ela se sentia um pouco tonta. Hora de almoçar. Saiu do apartamento ainda cambaleante, esperava que ninguém notasse. Até atravessar os cinco quarteirões já se recuperaria. Saiu com uma garrafa de água pela rua. Precisava chegar. Correu o mais rápido que pôde, ou, pelo menos, o quanto seus pés deixaram. Já não sentia tão forte o efeito das bebidas. Só Júlia mesmo para fazer uma loucura dessas. Riu.
Absinto.
O absinto descia queimando pela garganta, mas ainda assim a vontade de se entorpecer era tamanha que ela não se importava. Queria outra dose. Sabia que se continuasse ali não conseguiria sair. Já cambaleava. Desistiu da segunda dose de absinto. Tomara quase todos os drinks da casa e ainda não se sentia com coragem de voltar para o apartamento. O apartamento que ficava no suburbio da cidade refletia sua vida. Escuro, sujo e mal cuidado. Ela ficou ali, sentada. Observava as pessoas que sentavam, se encontravam e bebiam ali. Não era o mesmo tipo de pessoa que ela. Talvez pudesse ter sido bem sucedida. Era solitária. Talvez pudesse ter se casado. Não sabia ao certo. Um casal de namorados comemoravam algo. Deveria ser aniversário de namoro. Sempre era. Daqui a uns anos ele teria casos extraconjugais enquanto ela cuidava das crianças em casa. Talvez a sensação daquela futura esposa fosse ainda pior que a dela naquele momento. Somente seu gato lhe esperava em casa. Quando pensou no destino daquele casal apaixonado se sentiu um pouco mais alegre. Deveria ser o absinto. Sempre era. Achava que devia ir para casa. Algo a prendia ali, e não era o álcool ou a conta. Sim, havia alguém olhando para ela. Uma marguerita, por favor. Ele não se movera da cadeira. Ela talvez fosse sentar na mesa dele. Talvez. Sua vida era feita de talvezes. Se cansou do jogo de sedução, já não era tão nova quanto a garota do aniversário de namoro. Se levantou e saiu. Voltava para casa. Seus pés afofavam a neve e afundavam, formando um caminho atrás de si. O relógio marcava duas horas da manhã. Parou na ponte. O vento era tão fresco. Seus pés se aproximavam do parapeito. Não sabia ao certo o que estava fazendo, apenas fazia. O álcool lhe tirava os sentidos, tudo girava. Só se ouviu o barulho de água do Lago.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
A CARTOMANTE VI
Ela caminhava sem rumo. Tinha a tarde toda pela frente e nenhum compromisso. Apenas um encontro marcado consigo mesma. A câmera na bolsa e seus fones de ouvido era tudo o que precisava. Passou no shopping para comprar cigarrilhas. Acendeu uma enquanto caminhava em direção ao seu amado viaduto. Queria tirar fotos da paisagem urbana que tanto lhe fascinava. Talvez pulasse de lá de cima. Tinha curiosidade de saber como era. Seria poético pular dali. Ela sabia a história daquele viaduto, amava aquela vista e se sentia sozinha. Novamente aquela sensação de vazio. Mas ela caminhava, seus passos eram quase autômatos, era apenas guiada por um trilho invisível. Acendeu outra cigarrilha. Tirou fotos da sua amada vista. Não seria hoje que pularia. Se pulasse. Duvidava que um dia tivesse coragem. Ainda era nova, se sentia com a vontade do mundo. Queria conhecer muitas coisas ainda. Ainda. Agora deveria voltar, passou em um mercadinho no centro da cidade, entre lanchonetes sujas, pés apressados, pessoas mendigando, carros buzinando, lá estava ela, comprando duas cerveja e uma carteira de cigarros no centro da cidade. As pessoas lhe olhavam, como alguém poderia estar caminhando e bebendo em plena sexta-feira, no centro da cidade sem parecer um ébrio habitual? Ela não era. Mas queria se entorpecer, esquecer tudo que lhe fazia mal. Acendeu um cigarro. Voltava. Queria que tudo aquilo acabasse antes que enlouquecesse. Talvez já fosse tarde.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Noite, chuva e lágrimas.
Ele passava na rua. Encontrou. Era uma moça. Jovem. Bonita. Morena. Adorava as morenas. Elas gritavam menos. Começou a segui-la. Ela logo notou a sua presença, olhava assustada para aquele estranho que não parava de acompanhar seus passos pela rua escura. Logo ali, onde não havia ninguém por perto para socorrê-la se gritasse. Ninguém escutaria. Ele sabia disso. A única coisa que se ouvia era o barulho da chuva e os passos apressados em meio às poças de água. Gostava de fazer com que as suas vítimas se sentissem como ratos. Era assim que ele se sentia durante o dia. Mas, durante a noite...Ah! Durante a noite...Ele era o predador. Era o gato em meio aos ratos. A noite sempre revela o que o dia esconde. O lado perverso das pessoas aflora. Pelo menos era o que acontecia com ele. Sempre era o bom vizinho, quieto e prestativo. Durante a noite libertava sua verdadeira essência. Por favor, não! Tarde demais. As lágrimas já se misturavam com a chuva.
Gérberas.
Ela percorria os corredores do hospital. Passara antes em uma floricultura. Queria comprar flores, mas àquela altura já não sabia se ele as veria, comprou da mesma forma. Escolheu gérberas, porque eram suas favoritas, eram alegres, para contrastarem com o clima pesado de morte do quarto em que ele se encontrava. Ainda não aceitava o que acontecera. João? João! Acorda, João! Não brinca comigo, cara! Aquela cena ainda repassava em sua mente como um filme insano e arranhado. Tudo aconteceu tão depressa, ele, ali, caído no chão. A ambulância chegando e o hospital. Como assim câncer? Não pode! Parecia um pesadelo, uma brincadeira de mau gosto. Não era. Ela sabia que não era, mas ainda não aceitava. A família dele já sabia, era incurável e ele tinha poucos dias. Ela atingiu o quarto 206, era ali. Entrou. Ele estava ali, naquela cama, sorriu para ela e lhe perguntou se o perdoava. Era óbvio que ela perdoava, mas por que não contara? Não queria que ela se preocupasse. Impossível não se preocupar, ela gostava demais dele para vê-lo morrer ali, daquela forma, sem nem poder lutar. Era seu amigo desde sempre. Ela não sabia o que seria dela sem ele por perto, era como se um fosse extensão do outro. Irmãos de almas. E agora só restaria ela.
A CARTOMANTE V
Ela já havia superado toda a turbulência. Mas, quando a esmola é demais, o santo sempre desconfia. E com razão. Ela entrou no messenger, como sempre fazia, já estava acostumada a encontrar on line as mesmas pessoas de sempre, mas...havia alguém com quem ela não contava que estivesse ali. Sim, era ele. O causador de toda sua intranquilidade estava ali, pronto para ser chamado a uma conversa. E ela foi, já estava segura de si. Já não sentia a presença dele, ainda que virtualmente, da mesma forma como antes do sumiço. Conversaram banalidades, ela já estava mesmo disposta a esquecê-lo por completo, no dia anterior já havia contado para os seus amigos como se sentia, novamente com as rédeas da situação. Seu inferno astral voltou, quando ele, repentinamente, lhe fez uma declaração que a deixou totalmente desnorteada. Ele disse que ela era a pessoa mais doce e meiga que havia conhecido nos últimos tempos e que seu sumiço era devido ao medo de se envolver. Ela não entendia. E como poderia entender? Ela também tinha medo de se envolver, mas já era tarde demais, estava mergulhada por completo naquela situação e quase se afogando. Aquela frase lhe tirou do prumo. Sentia sua cabeça rodando, suas pernas bambas, em que pese estivesse sentada, o coração disparando, mas ainda precisava expôr a sua visão da situação. Ela realmente achava que ele estava procurando apenas uma companhia para passar o tempo, que não queria nenhum tipo de comprometimento e sumiu por achar que ela estivesse gostando dele. Ela não o culpava, ela mesma era assim, tentou reconhecer no outro a sua visão dos relacionamentos anteriores. Ela sumia, não dava satisfações, mas, pela primeira vez, estava do outro lado. Fazia pouco mais de um mês que seu inferno astral começara, terminara e ressucitara. Assim como seu amor, paixão e loucura. Agora, era o tempo do recomeço, do ressurgimento daquela insanidade que lhe assolara semanas antes, do misto de emoções, medos e alegrias. Duas lágrimas brotaram-lhe nos olhos. A loucura renascia e, pelo visto, era só o começo.
terça-feira, 16 de junho de 2009
A noite na qual se perdeu.
Quando entrou no local, estava com medo, receio, tantas pessoas estranhas a rodeavam que ela não sabia nem para que lado olhar. Rapazes com os braços tatuados, alguns não eram apenas os braços, moças com cabelos brancos, vários com brincos em locais inimágináveis. Ela se sentiu um pouco deslocada. Não era como as festas que estava acostumada a freqüentar. Todos pareciam se conhecer e eram tão simpáticos. Pediu uma vodka com refri. Logo a batida louca e repetitiva da música começou a lhe parecer convidativa. A seqüência de luzes coloridas lhe atordoavam e, ao mesmo tempo, lhe estimulavam a ficar ali, na pista, dançando. Via meninas se beijando, rapazes se beijando, achou muito exótico toda aquela cena. Mas o ambiente insano e frenético a cativou. Achou que aquele lugar era o melhor, diferente e o mais vibrante que já estivera. Havia se apaixonado por aquela atmosfera surreal e libertinosa que pairava no ar. Não queria ir embora. A noite pulsava na batida do seu coração. Parecia que aquele local possuía vida própria. Restavam poucas pessoas ainda na pista, então se viu obrigada a sair. Quando a porta negra se abriu, não acreditou no que viu. Era dia claro, entrecerrou os olhos para poder aguentar o choque de claridade. Os raios solares pareciam tão cruéis aos seus olhos que quase a cegaram. A noite havia passado tão depressa que mal podia acreditar.
A CARTOMANTE IV
Ela caminhava pela rua, com o sol sobre a sua cabeça, e sem pensar em mais nada. Era dona de sua vida novamente. Se sentia extremamente feliz por ter essa certeza. O dia parecia tão alegre, uma tarde ensolarada, mais quente que o habitual para aqueles dias de frio intenso, parecia que o dia estava celebrando com ela. Era senhora da sua vida. Andava no ritmo da música e parecia que tudo se encaixava numa perfeita sincronia. Ela não tinha mais os ímpetos de alegrias e felicidades da semana anterior. O caso do final de semana serviu para colocar um fim no amor abrupto que lhe assolou três semanas antes. Retomou seus antigos hábitos, começava a se reconhecer dentro daquela estranha que se tornara. Já estava quase curada daquela febre que desconhecia até então. Sempre soube o que queria, como queria e o que faria para conseguir - o que durante aquele período de três semanas não existiu, ela mal sabia o que e quem ela era, o que significava, e muito menos aquele estranho. Nem depois de tudo que ocorreu essa última pergunta ela poderia responder. Mas agora ele se fora. E ela esperava que fosse definitivo. Não fazia questão de responder a interrogação. Só sabia que ele não era o que dizia ser. Jamais conseguiria excluí-lo por completo, mas, ao menos, tinha certeza que não o procuraria. Duvidava que ele retornasse. E se isso ocorresse...ela nem gostava de pensar sobre o assunto, ainda era recente demais o sumiço repentino do estranho. Assim como viera se fora. Ela sabia que se ele a procurasse novamente não seria a mesma sensação. E ela agradecia a Deus por isso. Já se sentia com os pés no chão e mais lucida do que nunca.
A CARTOMANTE III
Ela se via naquele lugar, rodeada de pessoas desconhecidas e estranhas que repentinamente se tornaram seus amigos. O álcool parecia que tinha começado a fazer efeito, ela não controlava mais seus impulsos. Parecia que estava gostando dele. Não era a mesma impressão que tivera na semana anterior. O som alto abafava-lhe as ideias, e ela cantava acompanhando a banda. Não conseguia parar de olhar para aquele rapaz, ele parecia tão simpático...Ela não podia, nem queria, impedir os fatos que se seguiram. Era uma situação quase surreal. Estava naquele lugar, com aquele quase estranho, aquela altura da manhã, inebriada. Não era a primeira vez que fazia isso. Não o amava, nem viria a amá-lo, ela sabia e se sentia segura por isso. Nunca fora de se apaixonar. Gostava de aproveitar tudo que a vida pudesse lhe proporcionar e o fazia com maestria. Sempre soube que o amor não fora feito para ela. Agora, ela tinha certeza.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
A CARTOMANTE II
Ela corria. O vento gelado do começo de inverno beijava-lhe as faces, enquanto que somente sua sombra em meio à penumbra lhe seguia. Sozinha naquela rua, ela se sentia sozinha na vida. Seus pés afobados martelavam o chão, ao passo que sua mente repassava todos os acontecimentos da semana anterior. Ela não queria entender. Talvez, nem pudesse compreender a sucessão de fatos, nada fazia sentido. Em minutos, as lágrimas começaram a brotar-lhe nas faces. Uma confusão de sentimentos a tomava por completo, ela tentava negar, tentava prosseguir, mas era em vão. Ele não saia de sua cabeça. Agora mais do que nunca, ela precisava descobrir.
As coisas que a cartomante lhe disse ainda martelavam em sua mente. Ela estava atordoada, precisava ter certeza se aquilo era real ou apenas uma charlatanice e ela estava delirando. Ela queria acreditar que era tudo mentira, que aquela senhora não sabia de absolutamente nada. Afinal, cartas são apenas cartas. Elas não sabem de nada. Ou, ao menos, não deveriam saber. Há coisas que é melhor não ficar sabendo, mas a curiosidade humana não respeita essa fronteira...
Seus pensamentos só foram cortados pelo latido estridente do cachorro assustado com o barulho da sua corrida, ela precisava chegar em casa, precisava ter certeza que ainda tinha chão.
As coisas que a cartomante lhe disse ainda martelavam em sua mente. Ela estava atordoada, precisava ter certeza se aquilo era real ou apenas uma charlatanice e ela estava delirando. Ela queria acreditar que era tudo mentira, que aquela senhora não sabia de absolutamente nada. Afinal, cartas são apenas cartas. Elas não sabem de nada. Ou, ao menos, não deveriam saber. Há coisas que é melhor não ficar sabendo, mas a curiosidade humana não respeita essa fronteira...
Seus pensamentos só foram cortados pelo latido estridente do cachorro assustado com o barulho da sua corrida, ela precisava chegar em casa, precisava ter certeza que ainda tinha chão.
A CARTOMANTE
Ela sempre teve curiosidade de ir em uma cartomante, embora possuísse certo receio e até certo medo, a idéia parecia bem convidativa quando seu amigo lhe propôs, inusitadamente, ir à uma cartomante. Todos os medos de saber seu futuro exposto para uma completa estranha colocado em uma mesa. E se ela estivesse certa? Um pouco de pavor tomou o seu pensamento, mas a curiosidade era maior. Ambos combinaram que ligariam durante o intervalo da aula e iriam logo após o término. Ela não pôde resistir, saiu no começo da aula, bateu na porta da sala de seu amigo e eles saíram correndo atrás da cartomante.
Combinaram que almoçariam primeiro e depois procurariam a senhora que haviam telefonado mais cedo. Entre um pedaço de hamburger e uma batata frita, eis que a senhora telefona que a taróloga não conseguiria chegar em tempo para a consulta. Frustração. Todavia, ela se lembrou que ali perto havia uma loja esotérica, talvez ali soubessem de alguém. Se dirigiram para o referido local e lá estava uma senhora a quem lhes disseram que colocava cartas. A senhora os levou a uma sala ao lado da loja. A mulher lhe dava calafrios, vestida de preto, meio loira, cabelos desengrenhados, uma senhora de seus 45 anos, anel pontiagudo no anular, um olhar insano em sua face, tez branca, uma figura que era imponente e ao mesmo tempo que gerava um certo descrédito, parecia que havia saído de um manicômio qualquer. Ela estava ansiosa demais para desistir ali, queria saber o que aquela figura exótica tinha para lhe contar.
Combinaram que almoçariam primeiro e depois procurariam a senhora que haviam telefonado mais cedo. Entre um pedaço de hamburger e uma batata frita, eis que a senhora telefona que a taróloga não conseguiria chegar em tempo para a consulta. Frustração. Todavia, ela se lembrou que ali perto havia uma loja esotérica, talvez ali soubessem de alguém. Se dirigiram para o referido local e lá estava uma senhora a quem lhes disseram que colocava cartas. A senhora os levou a uma sala ao lado da loja. A mulher lhe dava calafrios, vestida de preto, meio loira, cabelos desengrenhados, uma senhora de seus 45 anos, anel pontiagudo no anular, um olhar insano em sua face, tez branca, uma figura que era imponente e ao mesmo tempo que gerava um certo descrédito, parecia que havia saído de um manicômio qualquer. Ela estava ansiosa demais para desistir ali, queria saber o que aquela figura exótica tinha para lhe contar.
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