domingo, 5 de julho de 2009

Horizonte

Ele estava ali, com os pés enterrados na areia branca da praia. Olhava o horizonte com seu sol poente. Anos que não ia à praia. Sempre ficara trancafiado em seu escritório. Saíra de lá direto para a praia. Ainda estava com sua calça social, gravata e a camisa social, agora já enrolada até a altura dos cotovelos. Segurava os sapatos e as meias em uma das mãos. Não que não gostasse do mar, areia, a maresia, a tranquilidade que o oceano lhe passava...Mas esteve sempre muito ocupado para se dedicar aos pequenos prazeres da vida. Sempre achara que teria outro momento para ver o sol se pondo no horizonte. O momento havia chegado. Não era bem o que ele esperava, mas estava ali. Estava desempregado. Já contava com quase cinquenta anos. Não sabia o que fazer. Trabalhara toda sua vida para a empresa. Canalhas! Que falta de consideração! Dera seu sangue, suor e juventude para eles! O que diria para sua família? O que faria agora? Uma vontade de sair gritando pela rua lhe assolou. Queria chorar. Dizem que homens não choram, será que era mesmo verdade? Seus olhos marejaram. Ninguém ali lhe conhecia. Aquele horário, somente vendedores e estudantes iam à praia. Ninguém notaria ele chorando. Não queria falar sobre o assunto no momento. Seria mais uma pessoa anônima na beira da praia. Era um anônimo. Sentia que havia perdido tudo. Pelo menos por aquele instante, o mundo se resumia em sua frustração. Se arrependera de ter se dedicado tanto ao crescimento da empresa em detrimento de sua vida pessoal. As lágrimas começaram a escorrer pela face.

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