terça-feira, 7 de julho de 2009
Nostalgia
Ela desenrolava o papel laminado roxo com o cuidado de um cirurgião. O cheiro doce do chocolate invadiu-lhe as narinas. Deu a primeira mordida. Estava sentada, olhando pra fora da janela do escritório. Olhava que o tempo feio, nublado, começava a abrir. Surigia um sol tímido, que avivava o verde do gramado. Pensava nos acontecimentos dos últimos tempos. Será que se renderia a alguma outra paixão? Será que, se houvesse, seria tão fulgaz, intensa e efêmera como a outra? Achava que seus sentimentos começavam a ser como o sol que surgia em meio às nuvens. Fazia muito tempo que não sentia nada por alguém. Naqueles últimos dias parecia que algo estava diferente. Não estava confusa, nem sabia ao certo o que se sucedia, também não tinha pressa de saber isso. Agora tinha todo o tempo do mundo. Se não desse certo, ela não estava desesperada para acabar, ou começar algo. Ela tinha o melhor dos dois mundos. Tinha um relacionamento estável com seu amigo, faziam os típicos programas de casais, cinema, almoços, jantares, caminhadas, contar sobre a sua vida, seu dia, etc. Ao passo que poderia aproveitar sua vida de solteira como bem entendesse. Saía com quem, quando e onde queria, sem precisar dar satisfações ou preocupar-se com eventuais traições. Lembrou-se de quando era menor, quando a felicidade se resumia a uma caixa de bombons. Como era bom! O mundo era bem menos complicado, sua vida parecia mais simples. Casa, escola, televisão, família e tarefas de casa. O ar nostálgico foi cortado com o barulho da porta de quem estava chegando.
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