segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vinho tinto

Era uma noite de primavera, o clima estava agradável, o restaurante era uma varanda com pequenas árvores frutíferas que começavam a florear. Já estivera lá antes. Sim, mas a ocasião era bem mais festiva que aquela. Ela sorvia o vinho como se ao cabo daquela taça o mundo fosse acabar. Pelo menos, era assim que se sentia. Talvez seu mundo ruísse antes mesmo do término do jantar. Queria embriagar-se e esquecer tudo o que lhe afligia. Era cedo ainda, mas, ainda assim, olhou o relógio. Nove e meia. Quanto tempo mais será que faltaria? Ele não conseguia olhá-la nos olhos. Ela sabia o motivo. Poderiam, ao menos, serem amigos? Aquela pergunta soou como uma súplica, afinal, de fato, o era. O último suspiro de desespero, uma última tentativa. Não se humilhe, pensava. Era tarde demais, já estava se humilhando. Desistiu. Passou o resto do jantar calada.

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