sexta-feira, 3 de julho de 2009
Ressaca
Acordara. Sentia-se mal. Estava com ânsia de vômito ainda. O quarto parecia girar. Por Deus! Precisava parar com aquilo! Ainda sentia o gosto de cigarro na boca. Sabia que aquela vida desregrada lhe mataria. Deveria parar com aquilo. Levantou-se. Conseguiu chegar até a pia. Ligou a torneira. Com as mãos em forma de concha levou um pouco de água até a boca. Que sede! Deixou água correr um pouco mais, até esquentar e jogou no rosto. Talvez melhorasse. Os olhos pintados já estavam borrados. A maquiagem forte da noite e a cara de ressaca já lhe deixavam desfigurada. Parecia um zumbi. Fedia a cigarro. Ligou o chuveiro. Saíra pra esquecer, bebera pra esquecer, mas ele ainda estava ali, na sua mente. Deixou a água escorrer sobre a sua cabeça, enquanto ainda repassava a noite passada. Bebera mais do que devia, como sempre. Por quê? Por quê? Ninguém deve sumir sem dar satisfações. Pelo menos algumas informações que pudessem lhe deixar satisfeita. Aquela porta aberta ainda a incomodava. Deveria ser definitivo, ela queria que fosse definitivo. Tinha receio de qual definitivo seria, mas queria arriscar, colocaria tudo a perder, mas tentaria. Caso contrário, se culparia por não ter tentado. O máximo que poderia lhe acontecer seriam algumas sessões (a mais) no psicólogo. Decidiu. Tomaria alguma atitude, e não apenas mais uns drinks na noite. Enrolou-se na toalha e caminhou até o telefone.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário