quinta-feira, 16 de julho de 2009
Olfato.
Ela estava voltando para casa, transitava pelas ruas do centro como se fosse a primeira vez que seguia por aquelas ruas. Sentia pingos fracos de chuva, olhava os rostos das pessoas, rostos trabalhadores, que às vezes se misturava com um ou outro mendigo. Ela sentia-se mal cada vez que passava por uma pessoa suplicante, não gostava daquela condição das pessoas, ainda porque, principalmente, sabia que cada um tinha uma história, apesar de não saber todas. Tinha curiosidade de um dia parar e conversar com as pessoas na rua, curiosidade, não coragem. Passou por uma pessoa que fumava, aquele cheiro lhe remetia às festas que costumava frequentar, uma saudade lhe arrebatou. Seguia seu caminho, andando pelas ruas do Centro, passando por seus amados prédios antigos, os postes que já iluminavam a algumas horas, pessoas que caminhavam apressadas para retornarem a suas casas, lojas fechavam. Um aroma de churrasco entrava pelas narinas, parecia sexta-feira. Talvez tivesse aquela impressão porque sairia aquela noite, ou porque lembrava-se das festas, mas o certo é que gostava daquela sensação. Continuou seu percurso para casa como a maioria daquelas pessoas, se perdia em meio a elas. Uma porta se abriu e com ela uma baforada de incenso, sentiu-se envolvida por aquela atmosfera e transportada para seus oito anos, quando na casa de seu tio, na entrada do ano-novo, ele defumava a casa com o mesmo tipo de incenso. Tratou de cortar logo aquele pensamento, assim como todos os anteriores, prestava atenção apenas no trajeto. Prosseguiu a caminhada, a chuva começava a ficar forte.
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