sábado, 18 de julho de 2009

Madrugada, Whisky e Cigarros.

Estava na sacada, já não importava mais o horário. Fumava e pensava na sua vida com um copo de Whisky com pedras de gelo boiando em uma das mãos. O clima de inverno produzia uma serração que fazia a noite ficar levemente branca. Apesar de estar frio, ele já não tinha mais os sentidos, o Whisky já o estava entorpecendo. Contava com pouco mais de sessenta anos e estava pensando o que fizera durante sua vida. Será que todo o esforço valera a pena? Será que as pessoas que diziam amá-lo, realmente, o amavam? Seus filhos já estavam adultos, já não tinha preocupações. Tinha feito um bom trabalho como pai, mas será que a contrapartida era verdadeira? Não conseguia sentir o amor dos filhos, por mais que estes se fizessem presentes. Pensava sobre seu casamento. Casara muito jovem, com a sua primeira namorada. Ele a amava, mesmo após tantos anos, mas não tinha certeza se sua esposa ainda o amava como outrora. Não estava questionando a fidelidade da esposa, nem seu respeito, mas sim a paixão. Já não sentia a mesma paixão que ela parecia exalar pelos poros há alguns anos antes. É bem verdade que já haviam passado por muitas coisas juntos, o que serviu para fortalecerem mais sua relação, embora companheirismo e respeito não sejam a mesma coisa que paixão. Ele sempre fora um bom marido, sempre tentou ajudar no que pôde, foi paciente, tolerante, tavez, até demais. Em poucos dias completaria mais um ano de vida. Será que valeria a pena mais um ano? Soltou uma baforada de fumaça.

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