sexta-feira, 19 de junho de 2009
A CARTOMANTE VI
Ela caminhava sem rumo. Tinha a tarde toda pela frente e nenhum compromisso. Apenas um encontro marcado consigo mesma. A câmera na bolsa e seus fones de ouvido era tudo o que precisava. Passou no shopping para comprar cigarrilhas. Acendeu uma enquanto caminhava em direção ao seu amado viaduto. Queria tirar fotos da paisagem urbana que tanto lhe fascinava. Talvez pulasse de lá de cima. Tinha curiosidade de saber como era. Seria poético pular dali. Ela sabia a história daquele viaduto, amava aquela vista e se sentia sozinha. Novamente aquela sensação de vazio. Mas ela caminhava, seus passos eram quase autômatos, era apenas guiada por um trilho invisível. Acendeu outra cigarrilha. Tirou fotos da sua amada vista. Não seria hoje que pularia. Se pulasse. Duvidava que um dia tivesse coragem. Ainda era nova, se sentia com a vontade do mundo. Queria conhecer muitas coisas ainda. Ainda. Agora deveria voltar, passou em um mercadinho no centro da cidade, entre lanchonetes sujas, pés apressados, pessoas mendigando, carros buzinando, lá estava ela, comprando duas cerveja e uma carteira de cigarros no centro da cidade. As pessoas lhe olhavam, como alguém poderia estar caminhando e bebendo em plena sexta-feira, no centro da cidade sem parecer um ébrio habitual? Ela não era. Mas queria se entorpecer, esquecer tudo que lhe fazia mal. Acendeu um cigarro. Voltava. Queria que tudo aquilo acabasse antes que enlouquecesse. Talvez já fosse tarde.
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