segunda-feira, 22 de junho de 2009
Marshmallows
O leite fervia no fogão. Procurou o pote de chocolate no balcão. Nunca sabia onde a empregada colocava. Ela ia uma vez por semana arrumar a casa de campo da família e, ainda assim, conseguia mudar tudo de lugar. A casa ficava no meio do nada. Cerca de duas horas da cidade mais próxima. Gostava do clima do campo. Não precisava se preocupar com nada, era tudo tão calmo. Encontrou! Serviu-se. Colocou marshmallows. Adorava aqueles pequenos pedacinhos do que parecia isopor açucarado. Lembrava sua infância. Ela mexia a xícara de chocolate quente. Os marshmallows flutuavam em meio ao marrom escuro do chocolate meio amargo. A alegria cabia em uma xícara. A chuva caía forte lá fora. Dentro de casa, somente ela, o cão e sua xícara de chocolate quente. O labrador ficava no canto do tapete, enquanto ela, na outra ponta, em frente à lareira, ouvia o barulho da chuva. Era um cão velho. Seu companheiro há anos. Não se lembrava de como era antes dele. Sempre estava ali, pronto para lhe agradar. O amava, e acreditava que era recíproco. Podia passar horas assim. Um incenso queimava. O cheiro doce invadia a sala por inteiro. Acreditava que dia de chuva sempre merecia um incenso. Especialmente dias de chuva com frio. A campainha toca. Oi! Nossa, você está todo molhado! Mas por que chegou a essa hora? Sabia o motivo pelo qual ele chegara aquele horário, devia estar com ela. Seu casamento ja não era o mesmo. Desgastado pelo tempo, ele tinha seus casos extraconjugais. Não sabia se o culpava ou não. Claro que o culpava. Enquanto ela cuidava dos filhos e da casa, ele estava se divertindo com diversas mulheres diferentes. Ou uma em especial. Isso era o que lhe machucava mais. Ela sempre esteve ali, pronta para lhe agradar, sempre o amou, mas, ainda assim, ele ia procurar conforto nos braços de outra. Não queria saber a resposta. Nem ele queria responder. Os dois sabiam onde ele estivera. Silêncio.
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