segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sushi

Ele olhava para ela. Não acreditava no que acontecia. Corriam no meio da rua para pegarem o ônibus. Correr era o que ele mais fazia nos últimos tempos. Ela aparecera do nada e transformara sua vida. Ela era tão...Espontânea, despreocupada, livre, racional e crítica. Ela fizera ele ir em lugares que ele jamais imaginaria. Do underground a high society. Provara narguilé. Foi a festas gls. Restaurantes mexicanos. Cartomantes. Torres de chopp. Matava aula. Ela fizera ele provar sushi. Aquele peixe cru era realmente bom e estranho. Ja pensara em provar antes, mas nunca tivera coragem. Ela prezava demais a comida. Uma vez lhe mencionara que gostaria de ser chef de cozinha, mas gostava de cozinhar por hobby, nao como uma obrigação. Odiava obrigações. Sempre fugia de responsabilidades. Talvez fosse por isso que ela fugia dele. Não queria que as pessoas gostassem dela. Não daquele jeito. Ela era como uma areia movediça, quanto mais tentava fugir, mais se sentia preso a ela. Chegaria um tempo em que ele não conseguiria mais respirar, assim como quem é atolado em areia movediça. A pressão exercida sobre o peito da vítima é tamanha que os músculos já não conseguem expandir a caixa torácica e ela morre por asfixia. Ela era assim. Tentara compará-la com uma cobra, mas a metáfora da areia movediça parecia combinar mais com aquela figura. Subiram no ônibus.

2 comentários:

  1. Nossa! Muito bons os contos! Adorei!Realmente, pingos de realidade misturados com uma boa dose de criatividade! Beijo!

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