quarta-feira, 17 de junho de 2009
A CARTOMANTE V
Ela já havia superado toda a turbulência. Mas, quando a esmola é demais, o santo sempre desconfia. E com razão. Ela entrou no messenger, como sempre fazia, já estava acostumada a encontrar on line as mesmas pessoas de sempre, mas...havia alguém com quem ela não contava que estivesse ali. Sim, era ele. O causador de toda sua intranquilidade estava ali, pronto para ser chamado a uma conversa. E ela foi, já estava segura de si. Já não sentia a presença dele, ainda que virtualmente, da mesma forma como antes do sumiço. Conversaram banalidades, ela já estava mesmo disposta a esquecê-lo por completo, no dia anterior já havia contado para os seus amigos como se sentia, novamente com as rédeas da situação. Seu inferno astral voltou, quando ele, repentinamente, lhe fez uma declaração que a deixou totalmente desnorteada. Ele disse que ela era a pessoa mais doce e meiga que havia conhecido nos últimos tempos e que seu sumiço era devido ao medo de se envolver. Ela não entendia. E como poderia entender? Ela também tinha medo de se envolver, mas já era tarde demais, estava mergulhada por completo naquela situação e quase se afogando. Aquela frase lhe tirou do prumo. Sentia sua cabeça rodando, suas pernas bambas, em que pese estivesse sentada, o coração disparando, mas ainda precisava expôr a sua visão da situação. Ela realmente achava que ele estava procurando apenas uma companhia para passar o tempo, que não queria nenhum tipo de comprometimento e sumiu por achar que ela estivesse gostando dele. Ela não o culpava, ela mesma era assim, tentou reconhecer no outro a sua visão dos relacionamentos anteriores. Ela sumia, não dava satisfações, mas, pela primeira vez, estava do outro lado. Fazia pouco mais de um mês que seu inferno astral começara, terminara e ressucitara. Assim como seu amor, paixão e loucura. Agora, era o tempo do recomeço, do ressurgimento daquela insanidade que lhe assolara semanas antes, do misto de emoções, medos e alegrias. Duas lágrimas brotaram-lhe nos olhos. A loucura renascia e, pelo visto, era só o começo.
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numa boa, numa tranquila e bem devagar
ResponderExcluirassim vai ser muito melhor!
sorte.adoro!