domingo, 21 de junho de 2009

Rua das Camélias.

Ela acordou. A dor de cabeça lhe pertubava de tal maneira que demorou a perceber onde estava. Não se lembrava de como fora parar ali...Uma festa, drinks, um rapaz e...Só sabia que ele estava ao seu lado em meio aos lençóis de seda vermelha. Não o culpava. Não se culpava. Precisava sair, beber, esquecer...esquecer de si nos braços de um desconhecido. Era melhor. Não teria compromisso algum com aquele rapaz. Agora estavam ali, os corpos nus, e não se lembrava sequer o nome dele. Mal se lembrava o seu próprio. Tentava organizar as idéias, ainda era confuso demais...Onde fora parar a Clarissa? Por Deus! Iria embora com ela! Onde será que ela se meteu? Tudo ainda girava. Fez um esforço quase sobre-humano para conseguir sair da cama. O chão parecia que iria se abrir e ela cair no meio do vão. Procurava sua bolsa. Parou para fazer as contas de quanto dinheiro se lembrava de ter gastado. Em vão. Saíra e nem se lembrava de quanto ou o quê havia bebido. Aquela figura ao seu lado ainda nem se mexera. Dormia feito pedra. Foi bom pra você? Achava aquela frase a mais clichê de todas. Não falou nada. Se vestiu. Como chegara ali? Não sabia. Não se lembrava o quê havia acontecido, nem como. E se o estranho...? Não podia. Um medo lhe assolou.Veio o remorso. Passaria em uma farmácia para comprar uma pílula do dia seguinte. Estava com medo. Em que parte da cidade estava? Deus! Onde? Pegou um táxi. Por favor, na Rua das Camélias. Deixara o estranho para trás. Não queria se envolver novamente. Bebera para esquecer. O conhecera para esquecer. Não se permitiria outro envolvimento. Não tão cedo. Queria que a figura do outro se afastasse para sempre de sua vida antes de começar alguma outra coisa. Respeito? Sim, por ela mesma. Não queria mais dores de cabeça além da que sentia no momento. Sua cabeça latejava. Não deveria beber tanto. Não deveria sair com estranhos. Pode parar ali na esquina, na farmácia. E agora? Qual o nome da maldita pílula? Vão me achar muito promíscua. E agora? Era. Não ligava. Pelo menos, não depois de raciocinar dessa forma. Pediu. Entrou no táxi. Na próxima quadra. Aqui. Desceu. E as chaves? Droga, sempre perdia! Só faltava terem ficado no motel. Não, achara. Entrou, subiu o primeiro lance de escadas. Deveria ter comprado um remédio para a dor de cabeça! Nunca mais beberia, se prometera aquilo. Sabia que não cumpriria. Já havia se prometido diversas vezes a mesma coisa. Entrou no apartamento. Pararia de pensar em tantas coisas. Só queria dormir novamente.

Um comentário:

  1. Cada conto um aneurisma! Algo inigualável...um fomigamento instantâneo da massa encefálica...husahsuahsu.
    Brincadeiras a parte, essa guria é soda já dizia Fócrates...O pessoal da Academia Brasileira de Letras que se cuide! ;p

    ResponderExcluir