sexta-feira, 26 de junho de 2009
Pôr-do-sol
Ela estava apreciando a vista. Nunca tinha visto um pôr-do-sol como aquele. Se sentia perdida naquela selva de pedra, para onde olhava havia um prédio. Sempre fora acostumada com a vida de interior, agora, aquela cidade toda aguardando por ela. As duas colegas estavam sentadas no terraço do shopping. Poderiam? Era parte do estacionamento, mas, ainda assim, parecia proibido. Nunca fizera nada proibido, ilegal ou imoral. Sempre fora uma garota exemplar. Estava agora naquela cidade tão impessoal...Deixara sua família no interior para estudar na capital. Tudo parecia tão difícil...Quando poderia voltar correndo para os braços de sua mãe? Não podia. O esforço da família era muito grande para mantê-la ali, era a única esperança da família. A vida da estância ficava difícil, diferente de outrora, quando eram os mais prósperos e ricos da região. Os tempos eram outros. A época de fatura ocorreu antes de ela nascer. Perderam tudo o que tinham. Maus negócios, gastos supérfluos, caindo, assim, no descrédito e miséria. Era época das vacas magras. Literalmente. Nada daquela vida nova que era forçada a começar tinha a ver com ela. Era uma típica mulher do interior. Gostava daquilo. Aquele pôr-do-sol lhe lembrava de casa. Vamos embora, está escurecendo.
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Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirPuxa, depois diz que não sabe escrever. Muito bom. Parabéns! beijão
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