sexta-feira, 26 de junho de 2009
Flores
Ele a olhava ali, deitada na cama. Entre os lençóis, ainda dormia. Ambos sabiam que era apenas um caso, efêmero, fulgaz, intenso. Ele pensava na razão de terem escolhido aquele tipo de relacionamento, eram duas pessoas adultas, com sentimentos diversos. Ela gostava dele. Ele gostava de outra. Não queria que ela continuasse sentindo aquilo por ele, talvez não merecesse, talvez ela não merecesse. Era apenas sexo casual, que mal poderia haver? Sexo não se confunde com amor, e ele já havia deixado claro para ela. Tentava se convencer, mas sabia que os argumentos eram baratos demais para convencerem. Se perguntava o porquê de ainda estar ali, alimentando aquela relação sem futuro. A carne era fraca, e sabia disso. Estariam eles procurando suas almas gêmeas? Mas esse não seria o destino de almas gêmeas, terminarem apenas se rendendo às tentações carnais, pura conexão de pele, cheiros, gostos e êxtase. E era só. Acabava por ali. Se levantavam e cada um seguia o seu caminho. Passavam semanas sem conversarem. Quando se reencontravam, parecia que todo aquele tempo não havia passado de, no máximo, horas. Não falavam sobre o que acontecia fora daquelas quatro paredes, somente o papo leviano de "Como vai?", "Quanto tempo!", "Saudades" e realimentavam aquele caso. O relacionamento deles já havia nascido morto, ambos sabiam. Mas nunca é demais chorar ao pé do leito de um moribundo, ou, ainda, levar flores ao cemitério. Por enquanto levaria flores ao cemitério. Deu um beijo nas costas desnudas de Nicole.
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