segunda-feira, 15 de junho de 2009

A CARTOMANTE II

Ela corria. O vento gelado do começo de inverno beijava-lhe as faces, enquanto que somente sua sombra em meio à penumbra lhe seguia. Sozinha naquela rua, ela se sentia sozinha na vida. Seus pés afobados martelavam o chão, ao passo que sua mente repassava todos os acontecimentos da semana anterior. Ela não queria entender. Talvez, nem pudesse compreender a sucessão de fatos, nada fazia sentido. Em minutos, as lágrimas começaram a brotar-lhe nas faces. Uma confusão de sentimentos a tomava por completo, ela tentava negar, tentava prosseguir, mas era em vão. Ele não saia de sua cabeça. Agora mais do que nunca, ela precisava descobrir.
As coisas que a cartomante lhe disse ainda martelavam em sua mente. Ela estava atordoada, precisava ter certeza se aquilo era real ou apenas uma charlatanice e ela estava delirando. Ela queria acreditar que era tudo mentira, que aquela senhora não sabia de absolutamente nada. Afinal, cartas são apenas cartas. Elas não sabem de nada. Ou, ao menos, não deveriam saber. Há coisas que é melhor não ficar sabendo, mas a curiosidade humana não respeita essa fronteira...
Seus pensamentos só foram cortados pelo latido estridente do cachorro assustado com o barulho da sua corrida, ela precisava chegar em casa, precisava ter certeza que ainda tinha chão.

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