quarta-feira, 17 de junho de 2009
Gérberas.
Ela percorria os corredores do hospital. Passara antes em uma floricultura. Queria comprar flores, mas àquela altura já não sabia se ele as veria, comprou da mesma forma. Escolheu gérberas, porque eram suas favoritas, eram alegres, para contrastarem com o clima pesado de morte do quarto em que ele se encontrava. Ainda não aceitava o que acontecera. João? João! Acorda, João! Não brinca comigo, cara! Aquela cena ainda repassava em sua mente como um filme insano e arranhado. Tudo aconteceu tão depressa, ele, ali, caído no chão. A ambulância chegando e o hospital. Como assim câncer? Não pode! Parecia um pesadelo, uma brincadeira de mau gosto. Não era. Ela sabia que não era, mas ainda não aceitava. A família dele já sabia, era incurável e ele tinha poucos dias. Ela atingiu o quarto 206, era ali. Entrou. Ele estava ali, naquela cama, sorriu para ela e lhe perguntou se o perdoava. Era óbvio que ela perdoava, mas por que não contara? Não queria que ela se preocupasse. Impossível não se preocupar, ela gostava demais dele para vê-lo morrer ali, daquela forma, sem nem poder lutar. Era seu amigo desde sempre. Ela não sabia o que seria dela sem ele por perto, era como se um fosse extensão do outro. Irmãos de almas. E agora só restaria ela.
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