domingo, 21 de junho de 2009

Júlia

Ela conhecia Júlia há anos. Estavam bebendo em pleno meio-dia. Ela deveria ir trabalhar depois. Não se importava com isso. Júlia era assim. Ela gostava do jeito da amiga. Júlia era uma pessoa como ela queria ser. Irreverente. Diferente. Fora da média. Sem limites. Livre. Será que ela mesma era livre? Sempre se fazia essa pergunta. Acreditava que não era. Quando estava com Júlia, fazia coisas que nunca imaginara fazer. Morria de medo, mas fazia. Se lembrava do dia em que experimentara maconha com Júlia. Não sentira nada. Todos estavam sentados no sofá. Ela não sentira nada. Era isso? É isso que é proibido? Por que? Nada. Uma dose de absinto. Nada. Um copo de rum com refrigerante de limão. Caipirinhas. Nada diferente de apenas o efeito do álcool. Dormira aquele dia no sofá. Ela se lembrava daquela cena como sendo uma das maiores loucuras que fizera. E, de fato, era. Tudo já girava. Lembrava-se quando Júlia ainda era uma garota tímida. Hoje, era bem diferente. Ainda via em Júlia a menina que conhecera no colégio, mas apenas resquícios dela. Cresceram, era natural. Eram mais amigas agora do que quando se conheceram. Ela era certinha demais. Agora, era o oposto. Já haviam tomado todos os drinks possíveis. Ela se sentia um pouco tonta. Hora de almoçar. Saiu do apartamento ainda cambaleante, esperava que ninguém notasse. Até atravessar os cinco quarteirões já se recuperaria. Saiu com uma garrafa de água pela rua. Precisava chegar. Correu o mais rápido que pôde, ou, pelo menos, o quanto seus pés deixaram. Já não sentia tão forte o efeito das bebidas. Só Júlia mesmo para fazer uma loucura dessas. Riu.

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